Pânico só de pensar na apresentação do seu trabalho?

Se você é como 95% da população, falar em público está no topo da lista das situações mais ansiogênicas

(portanto, não culpe-se por preferir passar duas horas limpando privadas em um banheiro público a fazer uma apresentação de 20 minutos... apenas use as dicas abaixo)

Dicas para manter a calma ao apresentar seu trabalho de conclusão

(Não deixe de ouvir, ao final da lista, os comentários em áudio que aprofundam as dicas com asterisco *)

1. Evite a ilusão de que uma preparação obsessiva fará com que você não fique ansioso no momento da apresentação. Tome como certo que você sentirá ansiedade na hora – a boa notícia é que a ansiedade não o impedirá de falar! 

2. Perfeccionismo e ansiedade sempre andam juntos. Se você estiver em busca da fórmula da ansiedade, basta exigir perfeição em tudo. Assim, conviva desde o início com a ideia de que nem todas suas falas serão claras. Cabe à banca prestar atenção ao que você diz e solicitar esclarecimentos sobre os pontos de não compreensão. *

4. Não tente colocar tudo sobre seu trabalho em suas lâminas – não dá espaço nem tempo. Essa tentativa só serve para gerar uma apresentação apressada, com conseqüente elevação da ansiedade devido à preocupação com o tempo. Além disso, pressupõe-se que a banca já leu o seu trabalho na íntegra para saber dos detalhes (se os membros não fizeram isso, são eles que devem se envergonhar, não você!). *

 

5. Não se preocupe se os seus resultados não confirmaram suas hipóteses iniciais – você está lá para reportar os dados que encontrou, e não o que “deveria” ter encontrado.*
 

6. Aceite o seguinte fato: não importa o quanto você se prepara para as perguntas da banca, sempre haverá chance de alguém questioná-lo sobre algo que você não havia pensado (aliás, essa é uma das funções da banca, pois só assim um trabalho pode ser melhorado).
 

7. Ninguém lê mentes. Portanto, ninguém saberá que você se esqueceu de falar algo que havia programado durante sua preparação. Além disso, grande parte dos comentários planejados podem ser feitos em outro momento da apresentação, de modo que nenhum esquecimento acarretará em um prejuízo significativo.
 

8. Durante a apresentação, concentre sua energia mental em transmitir o seu recado, e não em tentar avaliar o seu desempenho e/ou elucubrar sobre o que os outros estão pensando a seu respeito. Todos temos recursos mentais limitados – não os desperdice com divagações que nunca chegarão a uma conclusão.
 

9. Imagine que você está explicando seu trabalho para um amigo de longa data em uma mesa de bar, e não para um grupo de professores doutores dentro das muralhas da Universidade. Quanto mais formalidade você perceber na situação, mas ansiedade sentirá.
 

10. Talvez a pior estratégia seja tentar decorar literalmente aquilo que dirá, pois sua memória não tem capacidade para tal. Antes disso, detenha-se à essência de cada slide, e desenvolva o tema na hora, com as suas palavras.
 

11. Não tome nenhum tipo de medicação sem acompanhamento médico especializado. A ansiedade não tem o poder de impedi-lo de apresentar, mas uma medicação mal utilizada pode sim levá-lo a um vergonhoso colapso.
 

12. Contextualize a importância da apresentação em relação às coisas que você valoriza: Como está a sua saúde e a de seus entes queridos? Você tem conseguido alcançar suas metas (como chegar até o momento da apresentação do trabalho)? Você possui vínculos significativos e pessoas com quem pode contar? Quão importante é a apresentação levando esses fatores em consideração?. Lembre-se: VOCÊ E O SEU TRABALHO NÃO SÃO A MESMA COISA.
 

13. No dia da apresentação, substitua o café e outras bebidas com cafeína por água gelada ou chá verde. Qualquer substância que deixe você mais acordado ou “ligado” também eleva sua ansiedade.
 

14. Preserve a natureza: não imprima seus slides para os membros da banca – eles devem prestar atenção na sua fala, e não no papel que você entrega a eles. Falar para pessoas que não estão lhe dirigindo o olhar aumenta a ansiedade de qualquer um. Não há como “passar desapercebido” nesse dia – encare isso de frente e chame a atenção da banca na sua direção. O foco deve ser em você, não nos seus slides.
 

15. Aquelas pessoas que lhe querem bem não necessariamente são aquelas com quem convém passar as horas que antecedem a sua apresentação. Se sua mãe, por exemplo, estiver tão ou mais preocupada que você quanto ao seu desempenho, ficar ao lado dela vai trazer tudo que você não precisa: pressão e ruminação sobre o que pode dar errado. Ao invés disso, fique próximo de pessoas que lhe transmitam suporte, tranqüilidade e encorajamento.
 

16. Durma bem (cerca de 8h por noite) durante toda semana que antecede a apresentação. Basta uma noite mal dormida para começarem os prejuízos na atenção, memória e aumento do estresse. Ironicamente, deixar de dormir para ficar revisando obsessivamente suas falas tem muito mais chances de levar a um “branco” do que dormir bem e fazer apenas uma breve revisão antes da apresentação.
 

17. Tenha em mente que você não está sendo avaliado pelo simples fato de ser ainda um estudante. Para ciência, não importa quem você é ou qual sua formação / reputação. Tudo que você produzir será submetido à avaliação antes de ser divulgado. Confira na charge abaixo a veracidade do ditado que afirma: “uma imagem vale mais do que mil palavras”...

3. A banca não espera que você fale com a desenvoltura de um palestrante motivacional (caso os integrantes tenham tal expectativa, esteja certo de que possuem algum problema psicológico, e isso não é problema seu!). Os membros da banca estão muito mais acostumados com apresentadores ansiosos do que o contrário. * (JAMAIS, NUNCA, SEQUER pense em tentar fazer em sua defesa algo semelhante ao vídeo  que você vê à esquerda)

Confira aqui alguns comentários em áudio que aprofundam as dicas

Compartilhando uma experiência pessoal... (documentada!)

Como uma questão chave para redução da ansiedade de falar em público é a exposição, resolvi tomar uma dianteira nesse sentido, na tentativa de estimular você a fazer o mesmo.

Divido aqui uma experiência sobre a qual muito ruminei, pois havia me preparado para falar na TV sobre pesquisa básica em processos atencionais, e fui entrevistado sobre futebol... (ao vivo e para todo Rio Grande do Sul, sem um minuto sequer para combinar com entrevistador como seria!) 

"A boa notícia" (expressão que utilizo frequentemente com meus pacientes) é que, a despeito de muito ter ruminado sobre meu desempenho nos dias posteriores à entrevista, não identifiquei nenhum impacto em minha vida nesses quase 10 anos que já se passaram. Na verdade, só me lembrei da existência desse vídeo no exato momento em que eu estava criando essa seção do site.

Veja o que fui capaz de gravar minutos antes da minha defesa de dissertação...

Particularmente, gosto de usar uma certa dose de humor na tentativa de administrar a ansiedade